me enlouqueça em banho maria. me engane. me ascenda ao nervosismo, que eu sumo. desapareço como se nunca antes. sabe, questão de tédio. de cansaço com pouca emoção, pouco afeto. um excesso tanto descaso.  tanta falta de braços, de peito.

saí para ver o mar e não sei se volto. para você vê como as coisas mudam, convencionei que eu tinha mudado, e mudei de vez. convencionei que você estava passado, e mudei de afago.  esvaziei.

o vento lá fora nem é mais o mesmo, mas também mudei de desejos. só o mar brilhava do mesmo jeito. levando-me para um outro tempo: calmo para um arrepio na nuca quando o pé gela na espuma d’água; tranquilo de respirar profundo e fechar os olhos para cheirar a brisa. um tempo de calmaria, mansidão, ter o próprio domínio na mão, deitar no chão. a areia irregular não fere os ossos.

deixei de medo. enlacei outros dedos.

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Arquivado em Palavras, sr. Lírico

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